
Por A.A. (o pai)
Por motivos profissionais estive uma semana inteira longe da família. Foi uma looooonga semana, talvez a mais longa desde que me tornei pai.
Custa-me muito estar longe das mulheres da minha vida, mas o que mais me custa é lidar com a distância da minha D – ela é o meu vício bom. Viciei-me no seu sorriso, no seu olhar expressivo e carinhoso, nos seus beijinhos desajeitados e na sua voz a dizer “papá”. Tenho dificuldade em explicar isto, mas a D é mesmo a menina do papá, já a mais pequena vive grudada na mãe e a presença dela basta-lhe. Mas a D ilumina-se quando me vê!
Ainda assim, nem tudo foi mau neste período de ausência. Estes dias longe da família fizeram-me valorizá-la ainda mais e perceber que a minha forma de estar na vida já não é a mesma. Ser pai mudou o meu modo de viver, mudou os meus valores, mudou o meu coração. Antes, conseguia aproveitar o lado bom das viagens profissionais – conhecer outros países, culturas, paisagens, outras realidades. Agora, continuo a conhecer novos destinos, mas não consigo tirar o mesmo proveito disso – falta-me algo…
Há quem ache fantástico poder viajar e trabalhar ao mesmo tempo! Eu hoje acho fantástico não ter que me privar da família, pois há momentos que são irrepetíveis. Ou estou perto para ver, ou perco a magia do momento e não mais o recupero.
Enfim, ser pai ensinou-me a viver de outra forma, a valorizar as coisas simples e as pessoas que gostam de nós. Continuo a aprender muito, sobretudo com a minha D, porque todas as pequenas conquistas dela têm muito trabalho por trás, e por isso não prescindo de aproveitar cada momento mágico.